O CDS-PP decidiu não comparecer na cerimónia oficial da atribuição da Ordem da Liberdade, porque entre os 37 agraciados escolhidos por Jorge Sampaio, está a médica Isabel do Carmo, fundadora do Partido Revolucionário do Proletariado.
Depois do 25 de Abril, Isabel do Carmo esteve presa vários anos, sob a acusação da autoria de acções armadas. A médica fez várias greves de fome e quando foi julgada foi ilibada. A médica fundou também as Brigadas Revolucionárias.
Para o CDS-PP, esta condecoração causa «desconforto» e «confusão» ao Partido por ser atribuída a uma pessoa que esteve envolvida em organizações terroristas e bombistas, segundo disse Pires de Lima. «É uma pessoa que nós respeitamos mas que pertenceu a organizações bombistas e terroristas», disse o deputado.
«É natural que o Estado entenda condecorar quem entender, mas a nós faz-nos alguma confusão que estes momentos de condecorações acabem por ser monopolizados por pessoas ideologicamente marcadas à esquerda», acrescentou Pires de Lima (na foto).
Para Isabel do Carmo esta decisão não é surpreendente, dado que «as pessoas do 24 de Abril não gostam das pessoas do 25 de Abril». A médica disse ainda que mantém «posições com a coerência suficiente para não ser suportada pelas pessoas que têm a política que têm no CDS».
«Quando o Dr. Jorge Sampaio tomou esta decisão achei que era corajoso da parte dele, como é hábito. Pensei que poderia haver reacções de pessoas de partidos de direita, para quem a minha pessoa deve ser insuportável», sublinhou Isabel do Carmo.
No total são 37 os nomes a distinguir, esta segunda-feira, com a Ordem da Liberdade. Entre eles estão o general Ramalho Eanes, o presidente do PS, Almeida Santos, e o renovador comunista, Carlos Brito. Sampaio chamou também o antigo ministro da Justiça, Meneres Pimentel, o ex-líder parlamentar do PSD, Júlio Montalvão Machado e o fundador da CGTP, Kalidares Barreto.
A Ordem da Liberdade destina-se a distinguir serviços relevantes prestados em defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação do Homem e da causa da Liberdade.
Recenseamento eleitoral temina a 13 de Abril
De acordo com a sondagem, a coligação que está no Governo e que se vai chamar Força Portugal nestas eleições, arrecada 37,6 por cento das intenções de voto. Um valor um pouco aquém da soma dos resultados que os dois partidos obtiveram nas últimas europeias, em 1999: 39,2 por cento.
Com uma distância de apenas 0,6 por cento, o PS é o segundo partido que recolhe mais intenções de voto (37 por cento), quase menos seis por cento do que conseguiu há cinco anos.
A CDU regista também uma forte quebra nas intenções de voto. Apenas 5,8 por cento dos inquiridos preferem a coligação que tem o PCP à cabeça, contra os 10,3 por cento de votos obtidos em 1999.
Pelo contrário, o Bloco de Esquerda aparece em tendência ascendente, com 4,3 por cento das intenções de voto. Há cinco anos, os bloquistas não chegaram aos dois por cento dos votos.
Em estreia absoluta nestas eleições, surge a Nova Democracia, mas o partido de Manuel Monteiro não vai além dos 0,7 por cento das intenções de voto.
Dos entrevistas, 3,2 por cento optaram por votar noutros partidos ou branco ou nulo e 11,4 por cento não sabem ou não respondem.
Estão, certamente, a contar com o meu voto... que, já agora, é em branco, se não estiver sol...